segunda-feira, 20 de maio de 2013

Mitos & Preconceitos


O Site do Instituto Milton H. Erickson de Brasília traz uma ótima explicação sobre as crenças que giram em torno da hipnose, segue:


1) Hipnose é sempre terapia?
Não, nem sempre a hipnose é terapia. Ela pode ser usada para diversos fins, como pesquisa, intervenções médicas, demonstrações didáticas e também a terapia. Para que a hipnose se torne um processo terapêutico é necessário que o contexto seja o de terapia e que o profissional em questão possua formação específica para isso.

2) A hipnose pode resolver qualquer problema?
Não, pois a hipnose é um procedimento técnico como outro qualquer. Apesar de sua eficiência, não é possível dizer que ela resolve qualquer problema, pois não há qualquer procedimento terapêutico que o faça, já que, para que um sucesso ou cura se concretize, existem muitos fatores além da técnica que devem ser considerados. Da mesma forma, é importante considerar que a hipnose frequentemente deve ser conciliada com outras técnicas terapêuticas, de acordo com as necessidades do paciente.

3) A pessoa que estiver em hipnose fica sob um controle absoluto do hipnotizador?
Não, pois em transe a pessoa mantém o senso crítico e moral. Se a pessoa não possui tendências ao roubo, por exemplo, o esforço de um hipnotizador inescrupuloso para que execute um roubo será infrutífero. A técnica hipnótica, portanto, não possui o poder de corromper os valores e a moral de alguém.

4) A pessoa pode ficar presa no estado hipnótico não podendo mais sair dele?
Não, isso não ocorre. A pessoa entra no estado hipnótico e não fica presa nele, como numa cela. O que pode ocorrer em alguns casos é que a pessoa vivencie uma experiência emocional mais intensa e tenha a sensação de que não consegue sair desse estado. Isso requer do terapeuta o acolhimento necessário dos processos emocionais que necessitam ser trabalhados. Mas isso não indica que alguém "fica preso", pois em algum momento ela voltará ao normal.

5) A pessoa em transe fica inconsciente ou dormindo?
Não fica inconsciente, nem dormindo. O estado de transe é semelhante ao sono, porém o sujeito fica responsivo ao terapeuta e consciente do que ocorre no meio, a ponto de poder sair do transe, caso sinta necessidade. No estado de transe o que ocorre é que os processos inconscientes são aflorados, mas isso não impede que o sujeito perca a consciência. É como se participasse de dois mundos ao mesmo tempo: ele pode perceber o meio que o cerca e, ao mesmo tempo, apreciar uma imagem trazida por seu inconsciente.

6) Toda hipnose é um processo regressivo?
Não, porque a regressão é apenas uma técnica ou fenômeno que pode ocorrer na hipnose, dentre os vários possíveis. A pessoa pode desenvolver alucinações (visuais, auditivas, táteis), distorções de tempo, processos ideomotores, analgesias, anestesias, dentre outros. Portanto, nem todo processo hipnótico é regressivo.

7) A hipnose é um processo superficial que não trabalha a causa dos sintomas?
Não, a hipnose pode ser desenvolvida de modo a atender as necessidades terapêuticas do sujeito. No passado, quando era usada como uma ordem do terapeuta, isto é, como um processo de fora pra dentro, ela frequentemente se restringia a atacar sintomas e por isso acabava se constituindo como um procedimento superficial. Porém, na atualidade, graças ao trabalho de autores como Erickson, o terapeuta considera a história de vida, o contexto e a forma de relação da pessoa ao utilizar das técnicas hipnóticas. Assim, suas intervenções atendem às necessidades dos clientes em níveis mais profundos.

8) As pessoas hipnotizáveis são fracas ou impressionáveis?
Não, pois qualquer pessoa pode experimentar o transe. Tal preconceito é alimentado pelo fato de que, historicamente, muitos sujeitos usados em estudos e demonstrações hipnóticas serem mulheres numa época em que estas eram vistas como donas de uma mente fraca. Porém, a experiência dos clínicos atuais demonstra numerosos exemplos de pessoas que se utilizam da hipnose e não podem ser classificadas dessa forma.

9) A hipnose pode incitar a pessoa a condutas perigosas ou "acting out"?
A hipnose é uma técnica psicoterápica como outra qualquer. O que induz a tais condutas é uma relação humana perniciosa, não uma técnica Se utilizada por pessoa capacitada e num contexto sério e protegido não induzirá um paciente a condutas perigosas.

10) A hipnose pode ser usada para lembrança de acontecimentos longínquos no passado?
Deve-se considerar que quando os acontecimentos são registrados na psique de alguém, sempre são misturados a processos emocionais e imaginativos. Desse modo, o que uma pessoa lembra de sua infância frequentemente está misturado a uma serie de processos subjetivos que nem sempre coincidem com os acontecimentos reais. Por isso, a hipnose não pode ser prova conclusiva de traumas passados, como abusos já que existe sempre a possibilidade da fantasia, às vezes alimentada pelo próprio terapeuta. Em suma, o máximo que pode sugerir quanto a fatos passados é o indício do que ocorreram, não podendo significar prova conclusiva sobre os mesmos.

Texto retirado do site:
www.imhedf.com.br

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